Diogo Frazão – On my feet

Diogo Frazão, 26 anos, Lisboa
Licenciado em Artes Plásticas e Multimédia
Frequenta o Mestrado de Fotografia e Cinema Documental
Actualmente fotógrafo das marcas Giancarlo Skateboards e Underskate shop

Diogo sempre teve um bicho criativo e desde cedo que adora desenhar e dar asas à sua imaginação. Desenhava especialmente DragonBall porque era «absolutamente vidrado», diz. O seu primeiro sonho de carreira era inclusive ser arquiteto, mas foi passageiro. Por volta de 2007 começou com vários amigos a andar de skate (em especial João Arteiro e Tiago Monteiro) e rapidamente surge a necessidade de filmar e fotografar as coisas que faziam e os lugares onde iam, o que o levou a comprar uma câmera fotográfica à medida que se foi entusiasmando e, ao mesmo tempo, «estragando as compactas que os meus pais tinham lá em casa», acrescenta o mesmo.

Apesar de nos anos de licenciatura ter sido menos produtivo, por volta de 2017 o Frazão dedicou-se a aprender e a praticar fotografia mais a fundo, como forma de se ocupar criativamente com aquilo que gosta, paralelamente à vida de trabalho.

Diz não saber definir a sua linguagem na fotografia, contudo, o seu trabalho é criado com um olhar documental (sendo a sua especialização académica) e por vezes um pouco romântico, embora o Diogo tenha a opinião de que uma abordagem romântica coligada à documental pode ser falaciosa.

As suas influências são maioritariamente de fotógrafos de skate e de rua.

No mundo do skate; o Atiba Jefferson, Michael Burnett, Mike Blabac, Oliver Barton, Matt Price, Dave Swift, Arto Saari são algumas das suas inspirações. Noutros ramos da fotografia dá muita atenção ao trabalho do Bruce Gilden, Sebastien Zanella, Martin Parr, Diane Arbus (entre outros).

Frazão sempre foi apaixonado, especificamente, pela fotografia de Skate. O que o levou desde cedo a comprar revistas desse mundo e a espantar-se com a dinâmica da fisheye, timing de manobra, enquadramento do espaço, fusão com a rua «um cocktail imagético espectacular e difícil de bater», opina.

O instagram tornou-se uma plataforma acessível para os artistas partilharem de forma espontânea os seus trabalhos, com a possibilidade de serem vistos por vários olhos com os mesmos interesses, de maneira mais informal. Posto isto, o Diogo publica os seus trabalhos na rede social, na qual, para além da sua conta pessoal, tem também duas páginas de fotografia com ideias distintas.

O projeto Millennialens é algo que está de certa forma em pausa, porque foi criado com o intuito de ser uma página exclusivamente a preto e branco e ultimamente não tem feito tanto sentido ao artista, e acrescenta «A verdadeira razão dela ter sido criada assim, é que eu não queria ter de lidar com a cor quando fiz o meu regresso ao mundo fotográfico e achei que até podia ser uma boa estratégia de marketing porque o preto e branco atribui automaticamente algum sentimento nostálgico à imagem».

No.Hurt.Filmings é um projeto em constante construção que serve para mostrar exclusivamente fotografia analógica, organizada em grelha, com algum design e pós-produção digital.

De momento o Frazão tem quase todos os seus trabalhos publicados no Instagram, mas diz estar em processo de criação de um site.

O projeto que se segue neste artigo, intitulado “On my feet”, é um projeto de especial orgulho do Diogo por ser um autorretrato e ter uma conotação tão pessoal. Está a ser publicado pela primeira vez na Má Sorte e cai que nem uma luva, pois não haveria melhor maneira de conhecer o Frazão e a sua arte.

“Apelo ao voto. Votar é importante. Tomar uma posição é importante. Ter uma opinião é importante. Votar influencia a cultura. Há eleições dia 30 de Janeiro de 2022 para os mais distraídos.”  – Diogo Frazão

ON MY FEET

Não posso dizer que tenho tido uma vida difícil.

Tanto a minha mãe como o meu pai me amam e sempre deram o que tinham e o que não tinham por mim. Nasci saudável. Cresci com liberdade e amigos, brinquei na rua, andei de skate e bicicleta e patins e trotinete e depois de skate outra vez, tive sempre telemóvel, bateria e saldo, naveguei na internet no meu computador, joguei consola, saltei de desporto em desporto porque nada me servia, conheci vários países e culturas, escolhi todo o meu percurso académico sem que, por exemplo, a questão da empregabilidade fosse posta em causa, foi-me oferecida a carta de condução com 18 anos, entre tantas outras coisas maravilhosas que os meus pais me proporcionaram.

Não posso dizer que tenho tido uma vida difícil, porque não é verdade.

A vida de quem vive em conflitos armados, por exemplo, é muito mais difícil. Ou a vida de quem teve de ver os pais se divorciarem, ou a vida de quem cresceu num orfanato, ou a vida de quem não tem dinheiro sequer para comer, ou a vida de quem nasce com uma deficiência profunda, ou a vida da minha avo que lhe viu morrer um filho e ser preso outro, ou a vida de tantos outros seres com vidas de infortúnio. Posto isto, logicamente, tive uma vida fácil.

Mas afinal quem é que não tem um problema maior do que o do resto do mundo?

Filho único. “Mimado!” – alguns dirão.

Diogo Doroteia Frazão

Acompanha o trabalho do Diogo Frazão,em:
www.instagram.com/frazation/
www.instagram.com/millennialens/
www.instagram.com/no.hurt.filmings/

Artigo por: Filipa Meira

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s