Ricardo Brito

Open Call

VI


Passo as noites em claro 
Enquanto o escuro desvanece 
Numa noite que parece infinita
E que com nada se parece 

Repetição constante da incerteza
De um dia claro que cresce 
Com a certeza que prevalece

Adormeço então com a ansiedade 
De passar as noites em claro 

Fumo o último cigarro do maço 
Enquanto penso no que escrevo;
Escrevo o que penso e quando repenso
A cinza cai para me lembrar que nada sei 
E se sei, questiono
Se é na verdade que quero acreditar 
Ou se acredito na verdade de sonhar 
Sonho 
Penso 
Questiono 
Repenso 
Não penso nos sonhos. 
Não me lembro dos sonhos. 
A memória é matreira. 
IX


Coletivos disfarçados de ovelhas
Ovelhas disfarçadas de pastores
Pseudo-intelectuais da merda
Que não passam de impostores

Impostores e Opositores
Difamodores, Conservadores
Queixam-se de tudo e de nada
Mas não sabem onde sentem as dores

Não sentem sequer
O peso da frustação
Abafam o fígado com açucar
Pedem ao pai um tostão

Ao almoço comem tostas
Ao jantar pizzas congeladas
Donos do saber e do mostrar
Queixam-se de tudo e de nada

E eu fico aqui parado
Importado com a opinião forçada
Deslumbro-me com o pouco que vejo
Queixo-me de tudo e de nada

Mais um bagaço se faz favor
Não te queixes se arder
Bebe mais 3 ou 4
E manda toda a gente foder

Ou manda para o caralho
Quem de ti pouco sabe
Mas não mandes foder
Só porque o esófago te arde

Mais ardente é o amor
Que com o tempo não desaparece
Passamos anos a tentar esquecer
E num segundo rejuvenesce

Secalhar o segredo da imortalidade
Não está em não morrer
Está em sentir, querer
Criar e desaparecer

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