Janice Rocha

Open Call

Janice Rocha / Janice from the Block

Oliveira de Azeméis, 1992.

Faculdade de Belas-Artes, Universidade de Lisboa, Escultura, 2014.

O desenho como memória descritiva, pré-processo escultórico, num ambiente mais sério, contemporâneo, conceptual que acompanha a escultura na data de formação.
Actualmente, mais focada na ilustração, assume um traço mais representativo, interpretativo sem tentativas de realismo, assumidas.

Jogos de traços, contornos e atmosfera de lineworker, maioritariamente auto-biográficos, sarcásticos e irónicos com uma dose de humor.

Obrigada,

Janice Rocha

(Sem título)

(clica na imagem para ver em maior dimensão)


Pensamentos à  contagem do  Metrónomo

(ao meu pai)

Arte por si só. Arte pela arte. Arte pelo artista. E arte pelo enfarte. Bisturi.
Pontos.
Anestesia.
Mental.
Local.
Geral.
Paragem.
Tesoura.
Cigarro.
Café.
Coração novo.
Sem enf arte.
Arritmia.
Cinco minutos.
Alta hospitalar.

Dormência
Das pontas ao todo
Do pensamento que me adormece E gira em torno
Da memória que habito
Sem retorno e sem saber.
Que se foda o visual
Mas eu preciso crer
Que nada morre,
Tudo muda
Que une, desliga e puxa
Que dá nó cego,
Mas sempre tua.
Que ar tão simpático que trazes. Mais valia teres ficado em casa. Arrelia o mundo,
Sorri,
Habita, não habites!
Foge.
És grão e és.
Por isso,
Tanto faz que nunca fez.
Feito.

Levo o peito cheio de ti.
Trago-o cheio mas triste.
Que me falha a pulsação
E os sinais vitais parecem-me agora fracos.
Liga-me à máquina que é a tua presença
Que me trazes de novo à superfície
E eu que gostava tanto de nadar.
Que me dá a vida e me traz o batimento.
Cardíaco.
Daquela máquina que bate em perfeita harmonia com a tua. Como se eu fosse nota e tu fosses melodia.
Quis ser clarão sem dar à luz.
Modéstia à tarte,
Só queria ser Cristóvão com Lombo,
Pela descoberta inteira de sabores
Que corre em ti.

Big | bang.
Two big Hands
Pelos pulsos sem tocar
Sem perceber se ainda respira
Falta te o ar,
Andas ao ralenti, sem notar.
Baixa rotação de preocupação ou ser No princípio era o verbo agora é o parecer Não fazemos para inglês ver
Não olhas nem notas, aponta no bloco. Post-its colados ao cérebro
Snooze para repetir daqui a 5 minutos Paragem.
Pressão.
De ar.
Partir para esquecer
Lembrar de querer ficar.
Esquecer de não me recordar.
Lembrar-me de me esquecer.
Ficar só a espreitar.
Quando o que queria era só, entrar.

Tic tac
A cada segundo
Mais um tiro
Um na memória
Outro na carótida
Adormece-me o pensar
A cada segundo
Mais um tiro
Acerta na jugular
Vejo frames a passarem diante dos olhos Este filme nunca mais chega ao fim Tic tac
Paragem cardíaca
5 minutos
Mais um tiro
Na memória
Na carótida
Na jugular
Mesmo assim, continuo a pensar. Pensamentos à contagem do metrónomo.

Parti para voltar
Para unir
Para ver sem conhecer
Mergulhar tão fundo
Que não sei se sufoco
Se vejo pela primeira vez
À segunda é sempre peculiar Que me deixo voltar à superfície de ti Vejo tudo, inteiramente
Nunca parto sem querer
Mergulho
Ao ralenti
Sem ar.
Para quem nunca fui
Por quem não quis ser
Por tudo o que fiz para ver
A cura
Se não fosse da doença
Tão interiorizada em mim
Que me fez ser grão
E nem com tanta areia assim.

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