Corpo pela arte: As batidas pelos dias

Por Lia Cachim

Por detrás de qualquer obra de arte, existe um corpo. Um corpo que transpira, respira, que desenha, que modela, que escreve, re-escreve, que talha, que compõe. Um corpo que se faz mãe e pai da sua obra. A rúbrica Corpo pela arte é um espaço destinado à partilha, à conversação, que surge de um desejo de apoiar e dar a conhecer a arte e os artistas.

As batidas pelos dias: I’llbard Beatz – Eduardo Pina

Nesta segunda publicação da rúbrica Corpo pela arte, trago uma conversa que é falada ao ritmo dos dias. Quando conheci Eduardo Pina, as batidas ainda não eram uma realidade presente, mas o mesmo não se pode dizer da música, pois ninguém dissocia Eduardo do seu baixo. No momento presente ninguém o dissocia também de I’llbard Beatz, beatmaker, produtor musical e streamer.

A conversa-entrevista que se segue, datada do mês de março de 2021, teve lugar no home studio do artista, onde começou com um cunho mais pessoal e trivial, mas logo tomou o seu rumo. Acompanhem esta leitura para conhecer melhor o trabalho de Eduardo Pina aka I’llbard Beatz.

Lia Cachim: Começo por perguntar como é que se deu essa transição do Pina, o baixista que publicava vídeos (muito fixes, diga-se de passagem) no YouTube, como te conheci, para I’llbard Beatz, produtor musical e criador de beats?

Eduardo Pina: Opa… Foi o Covid. (ri-se) Mais ou menos. Já andava há imenso tempo na cena de começar a tocar e tinha feito um EP, que saiu, e ia produzindo algumas coisas em casa, porque era um bocado complicado arranjar bandas e sempre que arranjava bandas, por algum motivo, acabavam por acabar. Comecei a curtir produzir e também comecei a ouvir mais hip hop, que era uma coisa que já não fazia há bué. E decidi mudar a minha cena para Illbard Beatz e começar a produzir beats, acho que era o que fazia sentido na altura.

LC: E como se deu o crescimento que levou até este ponto em que já tens o teu próprio home studio?

Eduardo Pina: Acho que foi o gosto, mesmo. Foi crescendo devagar. Passou de ter um pequeno estúdio no meu antigo quarto, não era bem um estúdio porque era o meu quarto, mas lá está, tinha um pequeno cantinho de estúdio, mas quando me mudei tive a oportunidade de separar e expandir.

LC: Tens aqui um sítio muito fixe. Então e além das tuas batidas (e da falta de concertos no geral) tencionas voltar ao ativo com bandas?

Eduardo Pina: Eu não deixei de ter bandas, tenho uma banda com o (Diogo) Barbosa. Não ensaiamos desde o verão passado, já não ensaiávamos desde que começou a quarentena. Temos estado parados este tempo todo mas a ideia é começarmos outra vez a ensaiar, pelo menos.

LC: E teres este estúdio também deve ser propício à criação. Talvez com a rotina de quarentena haja momentos mais mortos mas o facto de teres um espaço onde sabes que te podes fechar as horas que quiseres e trabalhar deve ajudar nas tuas criações. Mesmo comparando com o teu antigo estúdio, no quarto, achas que o ambiente em que trabalhas agora te ajuda a criar?

Eduardo Pina: Sem dúvida. Só de separar o espaço onde durmo do espaço onde trabalho, é melhor para a rotina e também acho que isso ajuda a que seja mais criativo. Tudo isso ajuda a que seja mais confortável no geral.

LC: Onde vais “beber” ou como é que guias o teu trabalho quando estás a criar uma música do zero?

Eduardo Pina: Há dias bons, há dias maus. No caso de, por exemplo, fazer beats para outros artistas, para venda, às vezes acontece não gostar do beat que fiz e não ponho à venda, e depois mostro a outro artista e ele gosta. Tenho de deixar de me julgar um bocado por aí. Mas ao mesmo tempo o que eu procuro é um instrumento ou alguma coisa que me esteja a soar na cabeça e começo por aí. Se estiver a ouvir uma guitarra a tocar um certo género, ou um piano, ou um baixo, começo por gravar esse instrumento e depois ver o que consigo compor à volta disso ou às vezes num dia muito bom já tenho uma ideia logo na cabeça.

LC: Também deve ajudar teres instrumentos e não teres que fazer tudo no PC, no sentido em que já estás acostumado aos instrumentos, suponho que flua melhor.

Eduardo Pina: Há cenas que faço no teclado, tipo baterias, acho que no teclado é muito mais fácil se já tiver uma batida na cabeça, fazê-la logo com o rato e com o teclado e desenhá-la do que estar a tocar. Não é tão intuitivo, às vezes, então se for uma guitarra ou um piano eu prefiro tocá-lo porque acho que é mais intuitivo e mais musical do que estar a desenhar as notas e etc. Isso também dá um groove à cena, não é tão mecânico, soa mais humano.

LC: Costumas fazer streams no Twitch várias vezes por semana. Organizas, planeias o conteúdo ou fazes uma cena mais freestyle?

Eduardo Pina: Ultimamente tem sido três vezes [por semana]. Eu gosto de acreditar que planeio (ri-se) mas eu não planeio normalmente (ambos rimos). Há muitas streams em que começo por ouvir música, e se tiver música de amigos para mostrar, mostro. Também estou sempre aberto a sugestões de pessoas que apareçam se quiserem sugerir música e depois normalmente começo a tentar fazer um beat, às vezes há ideias que posso não estar a gostar muito e acabo por voltar a iniciar um novo mas acabo sempre por fazer um beat, normalmente, em stream

Após alguns momentos “à parte”, Eduardo refere que faz os seus streams em português e explica porquê:

Eduardo Pina: Acho que faz mais sentido ser em português, até porque nunca vi ninguém a fazê-lo. Só encontrei um outro bacano a fazer música no Twitch português, do Porto, e estava a fazer o stream dele em inglês e era de eletrónica, também era diferente. Mas em português há um nicho mais pequeno então é difícil de cativar pessoas mas vai aparecendo malta e a malta vai falando, interagindo, e eu vou falando do que vou fazendo.

LC: Falando da tua lojinha. Tens um Linktree onde tens tudo organizadinho para as pessoas acederem a todas as tuas plataformas. E tens uma loja online onde vendes os teus beats a nível mundial. Como é que isso funciona?

Eduardo Pina: Tem várias licenças: é uma espécie de lease, como um carro, tu compras um beat por um valor, há diferentes valores que vêm com coisas semelhantes. O valor mais baixo vem com uma faixa em mp3. e o seguinte a faixa é em wav. Os pacotes incluem sempre o anterior. Depois de lançares a tua música com o beat, se chegares, imagina, a um milhão de visualizações no YouTube tens de pagar novamente o lease. Depois tens valores acima, com as faixas em separado, da bateria, das guitarras. Tens o lease ilimitado, que não tem limite de utilização, pagas só uma vez e usas as vezes que quiseres. E depois tens o formato exclusivo que pode depois criar uma discussão de valores, em que o comprador fica com o beat exclusivamente só para ele, para sempre, e com 100% de direitos sobre a música.

LC: Sei que andas a fazer umas colaborações, nomeadamente com o Risko da Velha, que já é uma figura com o seu reconhecimento em Coimbra.

Eduardo Pina: Gravei uma linha de baixo para uma música dele, tenho uma outra linha de baixo para fazer mas ele ainda não me mandou a música. E também estou a produzir um álbum, que já tem nome, mas o artista ainda não tem nome. (paira o suspense)

LC: Estás aberto a fazer parcerias artísticas? O pessoal pode vir “bater-te à porta” para fazer colaborações?

Eduardo Pina: Tal como o EP que eu estou a produzir com o Umbelino, isso posso dizer (o suspense morre na praia), propus fazer uma cena e ele curtiu a ideia. Gosto de apoiar a malta que está a começar. Acho que a música também passa por nos entreajudarmos. E isso também cria dias diferentes no estúdio, é fixe. 

Fica então aqui a sugestão de abrirem os endereços dos links úteis de Eduardo Pina, I’llbard Beatz. E ficam também as portas abertas para a partilha das batidas pelos dias.

Links:
Linktree: linktr.ee/IllbardBeatz
Instagram: https://www.instagram.com/illbard_beatz/

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